Caso Thamires: MPRS denuncia acusado por feminicídio e acolhe familiares da vítima
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) ofereceu denúncia contra um homem de 29 anos por feminicídio triplamente majorado e vilipêndio a cadáver. Ele é acusado pela morte de Thamires de Araújo Rodrigues, de 24 anos. O crime aconteceu no dia 5 de outubro de 2026, no bairro Restinga, Zona Sul de Porto Alegre. No dia 20 de outubro, a denúncia foi acolhida integralmente pela Justiça.
Na denúncia, a promotora de Justiça Luciana Casarotto afirma que o feminicídio foi cometido por motivo fútil, com emprego de meio cruel e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. A acusação também destaca que Thamires era mãe de um bebê e estava nos três meses posteriores ao parto quando o crime ocorreu, circunstâncias previstas na legislação penal que aumentam a gravidade do delito.
O MPRS também denunciou o homem por vilipêndio a cadáver. De acordo com a promotora, após a morte da jovem, o acusado colocou um aparelho celular em chamas sobre o corpo da vítima, provocando queimaduras em diferentes regiões.
ENTENDA O CASO
Thamires de Araújo Rodrigues foi assassinada a facadas na manhã de 5 de outubro, em uma casa no bairro Restinga, na Zona Sul de Porto Alegre. Antes do crime, ela e o suspeito discutiram em uma confraternização de família. O acusado seguiu a jovem até a casa onde ela vivia e praticou o feminicídio. O casal estava junto há cerca de cinco anos e tinha dois filhos, de dois meses e quatro anos. O homem está preso.
ACOLHIMENTO
Paralelamente à atuação criminal, a Central de Acolhimento às Vítimas do MPRS atendeu a mãe e uma prima de Thamires. A equipe da Central deu orientações sobre os serviços oferecidos pelo Ministério Público e destacou a importância do acompanhamento psicossocial. Além disso, apresentou possibilidades de encaminhamentos à rede de proteção e esclareceu dúvidas sobre os direitos das vítimas indiretas da violência.
Na Central, as familiares foram atendidas pela coordenadora Carla Frós e equipe, inclusive de psicologia. Durante o encontro, a equipe abordou o processo de luto, ofereceu acolhimento psicológico e apresentou a possibilidade de participação no Grupo Cicatrizes do Amor, destinado ao compartilhamento de experiências e ao apoio emocional de familiares de vítimas de feminicídio.
As familiares também receberam orientações sobre o projeto Pedros e Marias, voltado ao atendimento de crianças e adolescentes impactados pela violência contra mulheres. Por fim, o MPRS orientou a avó sobre a necessidade de regularizar a guarda dos netos para garantir o acesso a eventuais benefícios e informou que a Central de Acolhimento às Vítimas seguirá à disposição da família para prestar acompanhamento e orientações. A mãe e uma tia de Thamires foram encaminhadas para acompanhamento psicológico.
ASSISTÊNCIA JURÍDICA
Nesta semana, a mãe de Thamires também foi atendida pelo Escritório Modelo da Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP), que fará o encaminhamento para acesso à pensão especial prevista na Lei nº 14.717/2023. O benefício assegura um salário mínimo mensal aos órfãos de feminicídio até os 18 anos. A equipe do Escritório Modelo deve entrar com o processo de guarda das crianças na próxima semana.
