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MP e ABRH lançam programa de mentoria para adolescentes acolhidos

MP e ABRH lançam programa de mentoria para adolescentes acolhidos

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Adolescentes que estão próximos de deixar o acolhimento institucional, situação que ocorre ao completarem a maioridade, podem contar com o aconselhamento de profissionais de recursos humanos voluntários. Por meio do programa Mentoria para Jovens em Início de Carreira, lançado ontem, 10, na sede da Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs), profissionais reconhecidos tornam-se uma referência para os adolescentes, auxiliando em encontros periódicos por até dois anos, na escolha da área de atuação e no caminho a seguir para inserção no mercado de trabalho.

O programa é resultante de um Acordo de Cooperação Técnica entre Ministério Público, Associação Brasileira de Recursos Humanos-RS, Fundação de Assistência Social e Cidadania de Porto Alegre e Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Ainda antes do lançamento oficial, a ABRH já havia registrado em torno de 60 profissionais interessados em ser mentor voluntário.

A promotora de Justiça da Infância e da Juventude de Porto Alegre, Cinara Vianna Dutra Braga, afirma que a intenção do programa é modificar a realidade de quem completa 18 anos e precisa sair do acolhimento institucional. “O dia do aniversário é muito triste: se faz uma festa de aniversário, se canta parabéns e se abre a porta”, justifica. O município de Porto Alegre conta com apenas 24 vagas em repúblicas e, anualmente, em torno de 70 adolescentes se desligam das casas lares ou abrigos. “Ou o jovem volta para uma família que já não lhe deu amparo enquanto criança ou adolescente ou vai para as ruas e, se não estiver inserido no mercado de trabalho, com uma boa orientação, o caminho é o crime”, adverte a promotora.

“Este termo de cooperação técnica é uma porta maravilhosa que se abre para o jovem no acolhimento, significa que ele vai completar 18 anos e vai sair, mas acompanhado de um orientador, uma pessoa distinta, uma pessoa com capacidade, discernimento, com vontade de auxiliá-lo no ingresso na vida adulta”, analisa Cinara. A promotora destaca ainda que o adolescente, mesmo que esteja na escola, fazendo estágio, se desorganiza às vésperas de completar a maioridade por medo do futuro, pela percepção de que vai precisar deixar aquele espaço de proteção. “No Brasil, 5 mil crianças e adolescentes estão no acolhimento institucional. Muitos não vão voltar para as famílias, nem ser adotados e o programa de voluntários que os orientam nos estudos, em projetos profissionais e de vida, tem potencial para ser replicado em todo o país”, salienta.