A cena é de novela; a violência, não. Promotora do MPRS alerta para sinais da violência de gênero
Na novela “Quem ama cuida”, da Rede Globo, a personagem Elenice, interpretada pela atriz Mariana Sena, vive um relacionamento abusivo com Tom, vivido por Allan Souza Lima. O que parece apenas drama de novela pode ser violência de gênero na vida real. No Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, o Gabinete de Comunicação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) convidou a coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher do MPRS, Ivana Battaglin, para assistir e comentar cenas da novela.
Em uma das cenas, o marido quebra objetos dentro de casa durante uma discussão. Segundo a promotora, isso é um aviso do que pode acontecer com a vítima. “Quando o agressor quebra um objeto, ele está dando um recado muito claro: ‘o que eu estou fazendo com esse objeto eu posso fazer contigo’. É um sinal de violência que, por vezes, as vítimas não percebem”, afirma.
A CULPA NÃO É DA VÍTIMA
Em outra briga, o homem bate em uma mesa e diz para a mulher: “olha o que você faz. É melhor você ficar quieta”. Para a promotora, esse é um comportamento clássico. “O agressor culpa a vítima pelo descontrole que ele tem e, às vezes, as mulheres se sentem culpadas por isso. Elas veem a violência pelos olhos dele e pelos olhos dele a culpa é sempre dela”.
A promotora afirma que é fundamental que a novela provoque esse tipo de discussão. “É importante vermos na pele dessa mulher e desse agressor o que acontece em milhões de lares brasileiros. A gente fica torcendo para que a vítima veja a violência e consiga sair daquela situação. Mas é importante entendermos que, assim como essa personagem, muitas mulheres veem a violência, mas têm dificuldade de sair. É por isso que temos que estar ao lado delas. Nós estamos aqui para apoiar essas mulheres a sair do ciclo de violência”.
Para denunciar casos de violência de gênero, chame a Brigada Militar pelo telefone 190, ou Ligue 180, da Central de Atendimento à Mulher do Governo Federal. Você também pode procurar uma Delegacia de Polícia.
A Central de Atendimento às Vítimas do MPRS presta acolhimento, orientação e encaminhamento a pessoas que tenham sofrido violência ou violação de direitos, atuando para garantir o acesso à Justiça e aos serviços de apoio disponíveis.
Contatos das Centrais de Atendimento às Vítimas no RS:
Porto Alegre – Avenida Aureliano de Figueiredo Pinto, nº 80, Térreo, Bairro Praia de Belas. Telefone: (51) 3295-9876.
Caxias do Sul – Avenida Independência, nº 2.372, Térreo – Sala 14, Bairro Exposição. Telefone: (54) 99641-3016.
Lajeado – Rua Paulo Frederico Schumacher, nº 99, Térreo - Sala 4, Bairro Moinhos. Telefone: (51) 99739-5419.
Passo Fundo – Rua Bororós, nº 89, 7º andar – Sala 712, Bairro Vila Lucas Araújo. Telefone: (54) 99642-9601.
Pelotas – Rua José Antônio Dias da Costa Moraes, nº 80, Térreo, Bairro São Gonçalo. Telefone: (51) 99613-8658.
Santa Maria – Rua Alameda Montevidéo, nº 253, Térreo – Salas 5 e 23, Bairro Nossa Senhora de Lourdes. Telefone: (55) 99716-1236.
Santo Ângelo – Avenida Brasil, nº 1.421, 2º andar - Sala 26, Bairro Centro. Telefone: (55) 99928-7512.
Uruguaiana – Rua General Hipólito, nº 3.448, Bairro São João. Telefone: (55) 99727-3714.
