Gravataí: homem denunciado pelo MPRS é condenado a 28 anos de prisão pelo feminicídio da ex-companheira
“Há oito anos, seis filhos esperam por uma mãe que nunca mais voltou para casa”. Com essas palavras, o promotor de Justiça Rafael Wobeto Pinter sustentou a condenação de um homem de 48 anos, acusado de feminicídio pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). Nesta quarta-feira, 7 de outubro, o Tribunal do Júri de Gravataí condenou o réu a 28 anos de prisão pelo assassinato da ex-companheira, de 38 anos.
O crime aconteceu no dia 27 de agosto de 2018 em uma rua do bairro Bonsucesso, em Gravataí, região metropolitana de Porto Alegre, quando a mulher voltava para casa depois de sair com amigas. De acordo com a denúncia, o homem atacou a vítima com vários golpes de faca no peito e abdômen. Ela sofreu perfurações nos pulmões e no intestino, foi socorrida e hospitalizada, fez quatro cirurgias, mas não resistiu aos ferimentos e morreu 20 dias depois.
Durante o júri, o MPRS reforçou os impactos causados pela morte da vítima aos familiares, incluindo sofrimento psicológico persistente e agravamento de quadros de saúde mental. "Os jurados de Gravataí não puderam devolver essa mãe aos filhos, mas deram a eles o que a Justiça pode dar: a certeza de que essa morte não foi esquecida e de que a comunidade não tolera a brutalidade contra as mulheres", disse o promotor.
Os jurados acolheram a tese apresentada pelo MPRS e reconheceram as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio. A pena foi fixada em 28 anos, 10 meses e 15 dias de prisão, em regime inicial fechado. O homem está preso desde 2024.
