Tramandaí: acusados pelo MPRS são condenados pela morte de cabeleireira
A morte da cabeleireira Návia Regina Christan, 46 anos, antecedida por uma tentativa de homicídio da qual ela sobreviveu cerca de um ano antes, resultou na condenação, em Tramandaí, de quatro acusados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). A decisão foi proferida nesta sexta-feira, 25 de setembro, ao término de julgamento iniciado na quinta-feira, 24, com a fixação de penas de 30 anos de prisão para a irmã da vítima; 26 anos e 8 meses de reclusão para o cunhado; e os intermediários a 17 anos, 9 meses e 10 dias, bem como, 5 anos, 6 meses e 20 dias de prisão. Atuaram no Tribunal do Júri os promotores de Justiça André Tarouco, de Tramandaí, e Aline Baldissera, designada pelo Núcleo de Apoio ao Júri (NAJ) do MPRS.
Conforme a decisão dos jurados, os réus foram responsabilizados pela participação no planejamento, na articulação e na contratação dos executores do homicídio, cometido em 5 de novembro de 2018. Segundo a denúncia, a vítima foi morta a tiros dentro do próprio salão de beleza por um homem que entrou no estabelecimento se passando por cliente. As condenações foram por homicídio qualificado por motivo fútil, promessa de recompensa e recurso que dificultou a defesa da vítima. O crime teve origem em conflitos familiares e na crença dos envolvidos de que a cabeleireira estaria causando prejuízos financeiros a familiar.
ENTENDA O CASO EM ORDEM CRONOLÓGICA
TENTATIVA DE HOMICÍDIO
Em 26 de outubro de 2017, Návia Regina Christan foi alvo de uma tentativa de homicídio dentro de casa. Ela foi atingida por disparos de arma de fogo, sobreviveu ao atentado, mas ficou com sequelas permanentes, como a perda da visãode um dos olhos. A investigação identificou os envolvidos na organização e execução do crime, que posteriormente, em março do ano passado, foram condenados pelo Tribunal do Júri.
HOMICÍDIO
Em 5 de novembro de 2018, pouco mais de um ano após o primeiro atentado, Návia foi morta dentro do seu salão de beleza em Tramandaí. Conforme a denúncia do MPRS, os quatro acusados (sendo três deles os mesmos já condenados no julgamento da tentativa de homicídio) que foram a júri agora atuaram no planejamento e na intermediação da contratação dos executores. Dois homens apontados como responsáveis pela execução do homicídio já foram julgados e condenados.
ADIAMENTO DE JULGAMENTO
Inicialmente marcado para julho deste ano, o júri, que terminou nesta sexta-feira, foi remarcado após a defesa de dois acusados solicitar o desmembramento do processo, alegando impossibilidade de atuação do advogado constituído por motivos de saúde. O pedido foi negado pela Justiça, que entendeu que as condutas atribuídas aos réus estão ligadas entre si e deveriam ser analisadas conjuntamente pelos jurados.
