Sapucaia do Sul: acusados pelo MPRS são condenados a mais de 26 anos de prisão por feminicídio, sequestro de bebê e tentativa de registro fraudulento
Um homem e uma mulher acusados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) pelo feminicídio de Vitória da Silva Saliba Rodrigues, 22 anos, pelo sequestro do filho da vítima e pela tentativa de registrá-lo como filho do casal foram condenados pelo Tribunal do Júri em Sapucaia do Sul. O homem foi sentenciado a 26 anos e 1 mês de reclusão, e a mulher a 26 anos e 3 dias de reclusão. O julgamento começou na manhã de quarta-feira, 26 de agosto, e terminou na noite de quinta-feira, 27. A acusação foi sustentada pelos promotores de Justiça Fernando Freitas Consul e Vinícius de Melo Lima.
Os jurados reconheceram a responsabilidade dos réus por todos os fatos denunciados. Os promotores ainda vão recorrer para aumentar as penas. As qualificadoras do homicídio são: asfixia, recurso que dificultou a defesa da vítima (dissimulação e surpresa), prática para assegurar a execução e a impunidade do sequestro da criança e por razões da condição de sexo feminino (feminicídio). Conforme o MPRS, o crime ocorreu em janeiro de 2024 e foi planejado pelo casal para ficar com o bebê, então com três meses. A vítima foi atraída sob o falso pretexto de participar de um jantar e, segundo a acusação, levada para um local ermo, onde foi morta por asfixia mecânica.
Após o crime, o casal permaneceu com a criança por vários dias, apresentando-a como filha biológica. O bebê foi localizado pela Polícia Civil seis dias depois. Ainda de acordo com a denúncia, os condenados procuraram órgãos públicos e um cartório na tentativa de obter documentação para formalizar a falsa filiação, o que resultou também na condenação pelos demais crimes denunciados.
Os promotores destacaram que a condenação representa uma resposta da Justiça diante da extrema gravidade dos crimes praticados contra Vitória e sua família. Também ressaltaram o simbolismo de a decisão ter sido proferida em 27 de agosto, data do aniversário da mãe da vítima, o que torna o desfecho do julgamento ainda mais marcante para os familiares. A Justiça também fixou indenização por danos morais às vítimas e seus familiares.
Foto: Luiza Meirelles/TJRS
