Festival Fronteiras Porto Alegre: uma tarde de diálogo sobre literatura e psicanálise no Palácio do Ministério Público
O Palácio do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) recebeu, neste sábado, 16 de maio, uma programação voltada à reflexão sobre linguagem, subjetividade e sociedade dentro do Festival Fronteiras Porto Alegre. Ao longo da tarde, o público acompanhou dois encontros que articularam literatura e psicanálise, reunindo nomes de destaque do pensamento brasileiro contemporâneo. Pelo segundo ano consecutivo, o MPRS integrou a agenda do festival, contribuindo para aproximar o espaço institucional de debates culturais e intelectuais.
Na última palestra deste sábado, por volta de 16h, com o Palco Memorial do Palácio do Ministério Público lotado, a psicanalista e jornalista Maria Rita Kehl conduziu a conversa “O ressentimento e os afetos contemporâneos”, com mediação de Felipe Pimentel e Eduardo Mendes Ribeiro. Referência no debate público sobre cultura, política e subjetividade, ela refletiu sobre os sentimentos que atravessam a vida social e suas implicações no cenário atual. “O ressentimento se manifesta na persistência e na dificuldade em perdoar”, disse. Com linguagem acessível e abordagem crítica, a autora apresentou uma leitura das emoções coletivas como parte central na compreensão dos impasses contemporâneos.
O primeiro painelista da tarde deste sábado, por volta de 14h, o escritor Milton Hatoum — recentemente eleito para a Academia Brasileira de Letras e reconhecido como um dos principais nomes da literatura brasileira contemporânea —, falou sobre “O ofício da escrita”, com mediação de Flávio Azevedo e Lucia Serrano Pereira. Ao compartilhar aspectos de seu processo criativo, destacou a centralidade dos conflitos na construção narrativa. “Acredito que o cerne de um romance reside nos conflitos que impulsionam os personagens”, afirmou. Com uma obra marcada pela memória, pela densidade psicológica e pela ambientação na Amazônia, Hatoum abordou a escrita como um exercício de escuta e elaboração do tempo.
PALESTRA DA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA
Com a presença do procurador-geral de Justiça, Alexandre Saltz, a programação deste sábado contou ainda com a participação da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia, em conferência realizada no Palácio da Justiça, também no Centro Histórico. A magistrada abordou a relação entre poder e gênero. Convidada pelo Tribunal de Justiça do RS (TJRS), a ministra propôs uma reflexão sobre representatividade feminina, democracia e a ocupação de espaços de decisão no país.
FESTIVAL FRONTEIRAS PORTO ALEGRE
O Festival Fronteiras movimentou o entorno da Praça da Matriz ao longo dos dois dias, reunindo dezenas de pensadores nacionais e internacionais em uma programação que incluiu debates, apresentações artísticas e encontros com o público. Além do Palácio do Ministério Público, o evento ocupou outros espaços culturais da região, consolidando-se como um ambiente de circulação de ideias e diálogo entre diferentes áreas do conhecimento.
