Canoas: mulher acusada pelo MPRS vai a novo júri na próxima terça-feira pelo homicídio qualificado de fotógrafo em 2015
Uma mulher acusada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) de atrair o fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni, 22 anos, para a emboscada que resultou em sua morte em 2015 será julgada novamente na próxima terça-feira, 3 de março, em Canoas. O novo júri, que ocorre após a anulação pelo Tribunal de Justiça do Estado (TJRS) de julgamento ocorrido em 2023, terá na acusação as promotoras de Justiça Daniela Fistarol, da Comarca, e Rafaela Hias Moreira Huergo, designada pelo Núcleo de Apoio ao Júri (NAJ) da instituição.
O julgamento anterior foi anulado — a pedido do MPRS — porque a decisão dos jurados foi contrária às provas, justificando o novo júri. Agora, a ré será julgada apenas pelo homicídio qualificado, estando extinta a punibilidade do crime de ocultação de cadáver. As qualificadoras imputadas incluem motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. O coautor, por sua vez, foi condenado em 2020 pelo Tribunal do Júri, a 20 anos e oito meses de prisão por homicídio qualificado, e é apontado como integrante de uma facção criminosa.
As promotoras, em conjunto, destacaram que “o MPRS reafirma sua inabalável convicção quanto à responsabilidade da ré pelos fatos descritos na decisão de pronúncia, na condição de principal articuladora do crime, ao lado de coautor, já definitivamente condenado. Aliás, desde o oferecimento da denúncia, a instituição sustenta a consistência do conjunto probatório e a presença de todas as qualificadoras reconhecidas judicialmente. Essa compreensão permanece íntegra e inalterada. O MPRS também entende que as provas serão valoradas em sua integralidade, e que o novo julgamento restabelecerá a adequada resposta estatal aos fatos apurados”.
O CRIME
Conforme a denúncia do MPRS, a ré foi responsável por atrair a vítima para a morte, em local previamente ajustado na cidade de Canoas. A mulher, apesar de manter um relacionamento com o coautor, integrante de uma facção criminosa, também se relacionava com o fotógrafo, o que levou ao entendimento de que o delito foi motivado por ciúmes. Os dois — a ré e o coautor — combinaram o assassinato e, durante um encontro marcado pela mulher com a vítima, acabaram executando Gargioni a tiros, em julho de 2015.
