Porto Alegre: testemunhas de acusação indicadas pelo MPRS são ouvidas em audiência sobre caso de feminicídio e dois homicídios na Região das Ilhas
Quinze testemunhas de acusação foram ouvidas na tarde desta segunda-feira, 9 de fevereiro, durante a primeira audiência do processo que apura um feminicídio e dois homicídios ocorridos na Região das Ilhas, em Porto Alegre. Entre os depoentes estiveram o filho do casal e a mãe da vítima. A audiência ocorreu no Fórum Central da Capital e contou com a atuação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), representado pela promotora de Justiça Luciana Casarotto.
A audiência marca o início da fase de instrução do processo relacionado aos crimes ocorridos em 10 de agosto de 2025, Dia dos Pais, na Ilha Grande dos Marinheiros, bairro Arquipélago. Na ocasião, uma mulher foi morta a tiros pelo ex-companheiro, configurando feminicídio. O pai da vítima, que tentou impedir o ataque, também foi assassinado. Um terceiro homem, que passava pelo local e tentou intervir, foi atingido e morreu posteriormente em decorrência dos ferimentos. O caso teve ampla repercussão em razão da brutalidade e do contexto familiar em que os crimes ocorreram.
O CRIME
De acordo com a denúncia apresentada pelo MPRS, os crimes ocorreram quando a vítima visitava o pai para comemorar a data. O agressor, inconformado com o término do relacionamento, abordou a mulher e efetuou os disparos. O pai dela tentou defendê-la e acabou morto no local. Um jovem que presenciou a cena também foi baleado ao tentar conter o ataque. As vítimas são Sheila Lopes da Silva, 41 anos; pai da vítima de feminicídio; Rogério Santos da Silva, 61 anos, morto ao tentar intervir; e Djonatan Patrick da Silva Oliveira, 20 anos, que tentou conter a ação criminosa e morreu dois dias depois no hospital.
Após a oitiva das testemunhas de acusação, o processo terá continuidade outra data com novos depoimentos. Para a promotora de Justiça Luciana Casarotto, a audiência desta segunda-feira representa um momento fundamental para a responsabilização penal. “Nesta segunda-feira, as pessoas relacionadas na denúncia tiveram a oportunidade de falar sobre os brutais crimes ocorridos em pleno Dia dos Pais de 2025, quando três pessoas foram covardemente mortas. É um passo necessário, com a reabertura de feridas que jamais fecharão, para que tenhamos uma condenação exemplar, ao final, pelo soberano Tribunal do Júri”, afirmou.
