“Eu nunca imaginei que ia ver a seleção de perto, é um sonho”

“Eu nunca imaginei que ia ver a seleção de perto, é um sonho”

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A frase acima é de um menino de 11 anos que aguardava na fila, com mais de cem outras crianças e adolescentes, para entrar no jogo amistoso da seleção brasileira de futebol, na tarde deste domingo, 9 de maio, em Porto Alegre. Todos são acolhidos de casas lares ou abrigos da Capital e ganharam da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) os ingressos para assistir o amistoso entre Brasil X Honduras, no Estádio Beira-Rio. O presente da CBF, com o apoio do Sport Club Internacional, veio após a proposta do Ministério Público do Rio Grande do Sul, feita por meio da Promotoria do Torcedor. O MP buscava um espaço para chamar a atenção do público para um assunto muito importante: o grande número de crianças que crescem dentro do sistema de acolhimento e a oportunidade que uma adoção tardia proporciona.

FILME

Um filme de 30 segundos sobre o assunto foi produzido pelo Gabinete de Comunicação do MP. Nele, uma família de Porto Alegre conta como é a vida após a adoção de dois meninos, aos quatro e sete anos de idade, faixa etária onde a adoção já é considerada tardia e que a maioria dos adotantes rejeita.





NÚMEROS

No Brasil, quase 5 mil crianças estão aptas a serem adotadas, 94% tem mais de seis anos de idade. No Rio Grande do Sul, são mais de seiscentas nesta situação, sendo 96% maiores de seis anos.
Com ações constantes, o MP, o Judiciário e outras instituições vêm mudando essa realidade no Estado, mas se faz necessário falar sempre sobre o assunto.

A CBF, que costuma abrir espaço para campanhas antes dos jogos da seleção, foi sensível ao pedido do promotor de Justiça da Promotoria do Torcedor, Márcio Bressani. “Entendemos que essa era uma grande oportunidade para falarmos sobre esse assunto. O Estádio estaria lotado de pessoas que poderiam ser tocadas pelo filme e, quem sabe, mudar o olhar sobre as crianças mais velhas. O futebol é uma paixão em comum entre todos e devemos usar este espaço para buscar a transformação social”, explica Bressani.

Parceira do projeto, a promotora de Justiça da Infância e Juventude, que cuida do acolhimento na capital, Cinara Vianna Dutra Braga, abraçou a ideia e a produção do filme para ser oferecido à CBF. “Quando soubemos que a CBF havia sido sensível ao nosso pedido eu fiquei feliz demais. Além de exibir o filme, eles também presentearam as crianças com os ingressos. Imagina para crianças que muitas vezes crescem nos abrigos à espera de uma família que nunca chega, o que é a oportunidade de estar aqui e, além de assistir o jogo, ter as suas esperanças divididas com milhares de pessoas", disse Cinara.

FAMÍLIA

A família que gravou o vídeo exibido no Estádio, Wesley de 11 anos e Iuri de 14, na companhia dos pais, Nilson Ayala Queiroz e Karine Capeletti, também participou da ação no jogo. Eles entraram em campo, um com a bandeira e o outro com os jogadores. Para os pais, um momento emocionante. “Ver nossos filhos assim felizes, integrados à sociedade, nos faz ter certeza de que tomamos a melhor decisão. Hoje é aniversário do Wesley, mas esse presente não é só dele. Espero que as famílias entendam como adotar pode transformar vidas. Essa ação é muito importante, parabéns ao Ministério Público”, ressaltou Nilson, pai dos meninos.