Operação Viracasaca desbarata organização criminosa de tráfico em Cachoeira do Sul

Operação Viracasaca desbarata organização criminosa de tráfico em Cachoeira do Sul

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A Operação Viracasaca, realizada em conjunto entre Ministério Público, Polícia Civil e Brigada Militar, prendeu preventivamente 34 pessoas envolvidas na organização criminosa que atuava no tráfico de drogas em Cachoeira do Sul, além de um PM, preso em flagrante por posse ilegal de arma. Dois investigados estão foragidos. O MP solicitou que as principais lideranças do grupo fossem levadas para presídios de outras regiões do estado. Foram apreendidos documentos, celulares, quatro automóveis, um caminhão e R$ 56 mil em dinheiro. Atuaram desde o início da madrugada desta quinta-feira, 06, cerca de 270 agentes das três instituições, com o emprego de 90 viaturas e um helicóptero. Nos próximos 15 dias, deve ser apresentada a denúncia à Justiça.

Participaram, pelo Ministério Público, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado – Gaeco –, as Promotorias de Justiça de Cachoeira do Sul, Venâncio Aires e Especializada Criminal e o Núcleo de Inteligência do MP. Pela Brigada Militar, atuaram a Corregedoria da BM, diversos Batalhões e Pelotões de Operações Especiais, bem como o CRPO Vale do Rio Pardo. Já pela Polícia Civil, o trabalho foi desenvolvido pela Delegacia de Polícia de Cachoeira do Sul e pela 20ª Delegacia Regional. Foram cumpridos 37 mandados de busca e apreensão.

Durante coletiva de imprensa ocorrida na Promotoria de Justiça de Cachoeira do Sul, o subprocurador-geral de Justiça, Marcelo Dornelles, destacou o simbolismo do momento, porque “o trabalho integrado, de parceria entre as instituições, ocorreu em todos os momentos desde o início da investigação, e chegou em um resultado excelente, que é o que a sociedade espera de todos nós”. No mesmo sentido, o chefe de Polícia, Emerson Wendt, enfatizou que esta foi uma “operação capitaneada por pessoas competentes e dedicadas, o que levou a um resultado efetivo”. Por sua vez, o comandante do CRPO Vale do Rio Pardo, tenente-coronel, enfatizou que “para a Brigada Militar, é uma honra participar de operações conjuntas, já que o objetivo é o mesmo: dar uma resposta aos anseios da sociedade”. Também estiveram presentes na coletiva o diretor do Departamento de Polícia do Interior, Fernando Sodré, e o delegado de Cachoeira do Sul, Ricardo Milesi.

O coordenador da Operação Viracasaca, o integrante do Gaeco João Beltrame, reforçou: “o trabalho de base nos dá tranquilidade para oferecer a denúncia dos envolvidos à Justiça. O tráfico de Cachoeira do Sul está acéfalo após essa operação e os trabalhos desenvolvidos previamente pela Polícia Civil”. A Operação contou com o apoio dos promotores de Justiça Maristela Schneider, Giani Pohlmann Saad, Débora Becker, Gabriel Fontana e Ricardo Herbstrith, bem como dos delegados de Polícia José Antônio Mota e Ricardo Milesi.

A investigação iniciou a partir de informações da BM ao controle externo da atividade policial do MP em Cachoeira do Sul de que um sargento da BM teria relações de parentesco com o líder do tráfico na cidade, há cerca de um ano. Meses depois, a Polícia Civil passou a apoiar as investigações do MP. Durante esse período, quase 20 quilos de entorpecentes foram apreendidos.

Há indícios de que parte dos valores angariados pelo tráfico de drogas era lavado a partir da revenda de carros de propriedade da irmã do líder da facção e companheira do sargento investigado. Essa empresa, além de outras duas cujas proprietárias são esposas de “gerentes” do grupo criminoso, eram utilizadas da seguinte forma: os integrantes da facção eram contratados regularmente, com carteira de trabalho para que, quando fossem presos, tivessem o direito ao auxílio reclusão – R$ 500 desse valor era direcionado para o pagamento mensal de advogados. Além disso, as empresas forneciam as cartas de emprego para que os membros da facção pudessem progredir para o regime semiaberto com saída externa.

Quatro taxistas estão entre os investigados. Eles faziam o transporte de drogas dos pontos de venda aos clientes (ao preço da corrida mais o valor da droga), mas um deles já mantinha consigo grandes quantidades para posterior revenda. Os taxistas também agiam como motoristas contratados pela facção para o recolhimento dos valores arrecadados durante o dia de trabalho nas “bocas” e transportavam dinheiro do grupo.