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Clipping Cultural

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14/10/2008 - Clipping Cultural
Árvores petrificadas a céu aberto no centro do Estado




Se você ainda não conhece Mata e São Pedro do Sul, na região central do Estado, a cerca de 350 quilômetros da Capital, coloque uma visita a essas cidades em sua agenda de final de ano. Há, nelas, uma atração única do Sul do país: as árvores petrificadas, fósseis vegetais de grande importância para mostrar como eram as florestas do Rio Grande do Sul no período triássico, 205 a 215 milhões de anos atrás.

Os continentes ainda não haviam se separado. A atual África, portanto, era nossa vizinha. Nosso Estado era uma grande planície recortada por rios e com florestas tomadaspor árvores de grande porte, com 30 metros de altura ou mais, como conta o professor Átila Augusto Stock da Rosa, do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Maria e responsável pelo gerenciamento técnicoe científico do Jardim Paleobotânico de Mata, onde se encontra um garnde afloramento desses fósseis.
Os rios que corriam pela planície causavam erosão nas margens, principalmente quando da ocorrência de enchentes. As árvores de grandes dimensões não resistiam e caíram nos leitos. Com o tempo eram cobertas pela areia movimentada pelas águas, agravando o problema: elevavam o leito dos rios, aumentavam as enchentes e mais árvores eram derrubadas.

Transformação

No decorrer do processo a água se infiltrava dentro da madeira e as moléculas orgânicas iam sendo substituídas pelas moléculas minerais de diferentes formas de sílica, principalmente de quartzo, explica o professor Átila.
- Quando vemos uma árvore petrificada dessas podemos observar a mimetização de estruturas como os anéis de crescimento, os nós de onde saem os galhos, as raízes, ranhuras na parte externa das árvores. Parece árvore mas, na realidade, é um mineral, porque a matéria orgânica foi substituída pela matéria mineral - diz ele.
E o processo foi demorado. Essa substituição da matéria orgânica das florestas pela sílica levou ao redor de um milão de anos.
Como os troncos ficavam nos depósitos de areia, estes, por sua vez, também foram sendo compactados ao longo do tempo. E se tranformaram em rocha, atualmente conhecida como Formação Caturrita, que ocorre numa vasta extensão do Estado, aparecendo principalmente numa faixa de 150 quilômetros de comprimento, entra as cidades de Mata e Venâncio Aires, que é também a região onde foi mais estudada.
Em toda essa região, qualquer escavação que se realize, seja na cidade ou área rural, termina resultando na localização das árvores petrificadas. Elas são protegidas por lei e há leis municipais proibindo que os materiais sejam retirados dos municípios, mas nem sempre isso acontece. Tanto o professor Átila quanto as prefeituras de Mata e São Pedro do Sul reconhecem que há depredação e comércio ilegaldessas peças, bem como dos fósseis animais que são encontrados em grande quantidade na mesma formação. Entre eles estão fósseis de dinossauros, rincossauros, cinodontes e, principalmente, por exemplo, em São Pedro do Sul.
O maior réptil dicinodonte encontrado no mundo, o Stahleckeria Potens, com três metros de comprimento por um metro de altura, foi encontrado justamente em São Pedro do Sul. Mas não se encontra lá há muito tempo. Foi levado para o Museu de Tübingen, na Alemanha, de onde, com muita dificuldade, está tentando conseguir ao menos uma reprodução da cabeça.

São Pedro so Sul

Em São Pedro do Sul a maior reserva de fosséis animais está no Sítio Paleobotânico do Xiniquá, a 22 quilômetrosdo centro da cidade e localizado em uma propriedade particular. Nesse local não há visitação e o acesso somente é permitido a pesquisadores. Já no Sítio da Ermida, a nove quilômetros da cidade, existem fósseis vegetais e animais e, nesse local, com um grande número de afloramentos, é permitido o acesso de turistas. Somente em São Pedro do Sul existem onze afloramentos de maior porte, aonde as árvores petrificadas podem ser encontradas ao nível do solo. Um desses afloramentos está no trevo de acesso á cidade, enquanto na Praça Crescêncio Pereira, no centro, há um grande número de árvores expostas, como informa Tiana Streppel Cabral, diretora do Museu Paleontológico Walter Ilha, principal ponto de contato para quem for visitar a cidade e quiser conhecer valioso patrimônio.
Se em São Paulo do Sul os maiores afloramentos estão fora da área urbana, em Mata, próximo dali, ocorre o contrário. Eles ocorrem na própria cidade e têm seu maior destaque no Jardim Paleobotânico pertencente á Univerdade Federal de Santa Maria, mas sob administração da prefeitura local.
- São milhares de troncos e talvez milhões. Eles estão na superfície. Essa área nunca foi escavada mas, se fosse, apareceria muito mais. Em qualquer área a Mata onde se fizer uma escavação, seja para fazer um "puxadinho" na casa ou para abrir ou alargar uma estrada, vai se encontrar troncos de madeira petrificada. Em cada casa há pelo menos um tronco na frente. Em 1987 foi feito um levantamento das ocorrências e se verificou que Mata está sobre uma grande concentração dessas árvores petrificadas, embora as maiores reservas estejam em São Pedro Do Sul- diz Átila Rosa.
Nas três praças de Mata , segundo a guia de turismo do museu da cidade, Silvia Taschetto, há um grande número de árvores petrificadas em exposição. Todas elas, inclusive as existencias mas ruas, estão catalogadas; Mas, tanto essas quanto as dos afloramentos, não estão inteiras. Elas estão partidas. Uma das maiores, com 11 metros de comprimentos por um metro de diâmetro, existente na Praça Martiniano Eggres da Costa, foi montada.
- Ela foi encontrada partida, mas os pedaços foram encaixados. Vista longe parece estar inteira. Ela foi localizada em 1976 - explica Silvia.

Visitando Mata e São Pedro do Sul, veja onde procurar informações e orientações:

- Mata: Museu Padre Daniel Cargnin - Rua do Comércio, 582 - Telefone: (55) 3259-1272
- São Pedro do Sul: Museu Paleontológico e Arqueológico Walter Ilba - Rua Fernando Ferrari, 164 - Telefone: (55) 3276-2955.


Fonte: Zero Hora - Informe Comercial / 14 de outubro de 2008


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